Tipos Frequentes de Cirurgia Bariátrica
Entender o histórico da cirurgia da obesidade é fundamental para a elaboração do raciocínio do porquê elas foram criadas. Eis os tipos de cirurgias bariátricas mais freqüêntes:
Bypass Gástrico em Y de Roux – Essa é a cirurgia de obesidade mais freqüente do mundo que foi originalmente descrita por Mason & Ito em 1967. O Bypass Gástrico laparoscópico foi feito pela primeira vez em 1994 por Wittgrove (Wittgrove et al., 1994). Não tem a presença do anel. O estômago é cortado deixando-se 15-30ml de bolsa estomacal que conecta-se com o jejuno (intestino delgado) na chamada gastro-jejuno anastomose.
Referências Bibliográficas
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Fobi MA, Fleming AW. Vertical banded gastroplasty vs gastric bypass in the treatment of obesity.
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Capella RF, Capella JF, Mandec H, Nath P. Vertical banded gastroplasty-gastric bypass: preliminary report. Obes Surg. 1999;1(4):389-95.
Cirurgia da Obesidade. Jornal da Obesidade. Out, 2009.[online] Disponível na Internet via WWW. URL: http://obesidade.livejournal.com. Arquivo capturado em 31 de outubro de 2009.
Mason, EE Vertical banded gastroplasty for obesity. Arch Surg 1982;117: 701-6.
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VEJA Saúde - Suzana Villaverde
Nó no estômago
Boa notícia para os obesos: nova técnica de cirurgia bariátrica,
ainda em fase de experiência, pode fazer emagrecer com
menos riscos e menos sacrifício. Link:veja.abril.com.br/300909/no-estomago-p-1 54.shtml
O artigo foi publicado, recentemente, na Edição 2132 de 30 de setembro de 2009, com fotos muito ilustrativas e alguns comentários de membros titulares da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica sobre a cirurgia de Sleeve também conhecida como gastrectomia vertical.Esclarecimentos: na realidade, a cirurgia bariátrica mais freqüentemente realizada, no mundo, diferente do que é anunciado em artigos de jornais no Brasil e sites sobre cirurgia de obesidade, é a Cirurgia de Bypass em Y de Roux e não a cirurgia de Fobi-Capella. A diferença entre as duas é que o Fobi-Capella também é um Bypass em Y de Roux, mas tem a presença de um anel (corpo estranho) que é introduzido no pequeno estômago que sobrou após a cirurgia para fazer uma restrição alimentar e agir como uma passagem com controle para os alimentos que passam. O Bypass em Y de Roux foi cirurgia realizada por Mason & Ito em 1967.
Nos EUA, quase ninguém faz essa cirurgia do anel que é chamada de Gastroplastia Vertical com banda de anel de Silicone ("Silastic ring banded Vertical Gastroplasty") que foi descrita e popularizada nos EUA por Law em 1981.
Fobi (1986) e Capella(1999) fizeram essa cirurgia mais tarde quase 6-8 anos depois. A colocação do anel de silicone tem muitas complicações relacionadas como: erosão do anel (ele entra para dentro do estômago e daí tem de fazer cirurgia para a retirada) e a migração do anel (ele sai do seu lugar de colocação e desce para os intestinos podendo causar obstrução ou ainda subir pelo estômago remanescente) e causar problemas relacionados que irão provavelmente resultar em nova cirurgia de urgência.
Entretanto, estes cirurgiões FOBI(africano) e Capella(colombiano) conseguiram ampla divulgação dessa técnica aqui na América Latina especialmente no Brasil. Isso devido ao Prof. Garrido, que foi o introdutor da Cirurgia Bariátrica no Brasil, ter feito seu aprendizado com o Dr. Capella (cirurgia de obesidade aberta). A partir do momento que surgiu a cirurgia por vídeo na cirurgia bariátrica o anel passou a ser menos utilizado. Além disso, essa técnica com anel é mais fácil de se fazer, já que a calibração da anastomose gastro-jejunal é mais difícil requer prática, habilidade e treinamento apropriado. E por vídeo mais difícil ainda. O que eu quero dizer é que o mesmo efeito do anel pode ser feito SEM a presença do anel, somente através de técnica operatória inovadora, visando obter o mesmo resultado de restrição alimentar que o anel causa, mas sem ele, o que é bem melhor já que evita as complicações relacionadas deste corpo estranho de silicone. Escreverei em breve outro artigo sobre isso, com mais informações.
GASTRECTOMIA EM MANGA (SLEEVE)
A cirurgia de gastrectomia vertical (Sleeve), comentada no artigo da Veja, não é novidade em termos de cirurgia porque o Sleeve nada mais é do que um dos passos obrigatórios já descritos na cirurgia de Duodenal Switch(DS).
O DS é na verdade uma combinação da cirurgia do Scopinaro e a cirurgia descrita, experimentalmente, para doença do refluxo por DeMeester, em 1987. A primeira cirurgia do DS, adaptada para a obesidade, foi realizada em 1988, apresentada antes em alguns congressos, mas só foi publicada, efetivamente, em 1998 por Hess(nos EUA). Enquanto isso, Marceau, em 1993, publicava no Canadá. Só que a cirurgia de Sleeve, usada isoladamente, por vídeo, sem pertencer ao DS foi descrita em 2003 por Regan (que é do grupo do Michel Gagner).
Mas e porque uma cirurgia que já é realizada desde 1987 vem só "entrar na moda" como cirurgia inovadora em 2009? Porque foi recentemente que o Sleeve começou a ser usado como técnica isolada e está em vias de ser cirurgia aprovada pela sociedade de cirurgia bariátrica.
O sleeve consiste em só transformar o estômago num tubo cilíndrico e bloquear a maior parte da produção de grelina pelo fundo do estômago que é removido.
Veja a figura de um Sleeve à esquerda versus um Duodenal Switch à direita:
Notar que os dois têm o mesmo corte no estômago que fica na forma do tubo cilíndrico. Entretanto, o Duodenal Switch tem mais outros dois cortes realizados que são a duodenojejuno anastomose (alça alimentar) e a jejuno-jejunoanastomose (alça bileopancreática). Sempre que é cortado algo esse ponto pode ser motivo de complicação pós-operatória porque podem vazar secreções gastrintestinais por aí. Notar que o Sleeve só tem um corte no estômago e o Duodenal Switch três.
As complicações do Sleeve são:
- Fístula;
- Infecção de ferida operatória;
- Sangramento;
- abscesso.
Referências Bibliográficas
Mason EE, Ito C.Gastric bypass in obesity.Surg Clin North Am. 1967 Dec;47(6):1345-51.
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DeMeester TR, Fuchs KH, Ball CS et al. Experimental and clinical results with proximal end-to-end duodenjejunostomy for pathologic duodenogastric reflux. Ann Surg 1987; 206: 414-24.
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Marceau P, Hould FS, Simard S, et al. Biliopancreatic diversion with duodenal switch. World J Surg. 1998;22:947-54.
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Regan JP, Inabnet WB, Gagner M et al. Early experience with two-stage laparoscopic Roux-en-Y gastric bypass as an alternative in the super-super obese patient. Obes Surg 2003; 13: 861-4.
E início do nosso Jornal sobre Obesidade. Procuraremos trazer várias novidades, na medida do possível, sobre cirurgia da obesidade e, eventualmente, outras alternativas não cirúrgicas. Decidi fazer esse Jornal estilo Blog da Internet para ajudar muitos pacientes que buscam, muitas vezes, a cirurgia bariátrica mas restam muitas dúvidas sobre o cirurgião, sobre o hospital e sobre se é realmente necessário ter de fazer cirurgia.
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